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Palestra: Vírus da Zika o que a ciência tem a nos ensinar?

Vírus da Zika: o que a ciência tem a nos ensinar foi o enfoque dado a uma palestra que ministramos na Semana da Enfermagem para alunos, professores e convidados da Universidade Salgado de Oliveira de Juiz de Fora no auditório da OAB em 2016. O objetivo foi repassar as informações científicas que haviam sido descobertas até aquele momento sobre o vírus Zika e as doenças resultantes da infecção.

O Brasil vem enfrentando uma epidemia causada pelo vírus da Zika que tem sido relacionada ao aumento do número de casos relatados de doenças neurológicas graves. Este vírus foi originalmente isolado em macacos Rhesus em Uganda, continente africano, em 1952 em uma floresta denominada Zika e daí o seu nome. O vírus da Zika pertence à família Flaviviridae que é a mesma família dos vírus da dengue, da febre amarela, da febre do Oeste do Nilo, dentre outros.

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A primeira infecção humana pelo vírus da Zika foi detectada em 1954 na Nigéria e a paciente de dez anos de idade se queixava de febre e de dores de cabeça. O vírus se disseminou para outras regiões do continente africano e para a Ásia causando uma primeira epidemia em 2007 na Ilha de Yap localizada na Oceania. Até este ponto se desconhecia o potencial do vírus da Zika de causar epidemias.

O vírus da Zika é capaz de infectar várias espécies de mosquitos vetores do gênero Aedes. Em diferentes regiões geográficas diferentes espécies do mosquito apresentarão a capacidade de transmitirem o vírus ao homem. Acredita-se que o vírus tenha chegado ao Brasil durante a Copa de 2014, sendo a doença relatada inicialmente em pacientes no estado da Bahia e do Rio Grande do Norte que apresentavam a sintomatologia típica da Febre da Zika como febre, manchas vermelhas na pele, dores nas articulações e conjuntivite.

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A partir do mês de outubro de 2015 elevaram-se os relatos de casos de microcefalia no Brasil com uma concentração de relatos nos estados nordestinos. Segundo o último informe do Ministério da Saúde publicado no início do mês de maio, já são mais de 7.000 casos de microcefalia com 1.271 casos já confirmados de infecção congênita.

Dados epidemiológicos sobre a infecção pelo vírus da Zika em adultos e em crianças só passaram a ser registrados em fevereiro de 2016 quando a virose foi incluída na Lista de Doenças de Notificação Compulsória. Na atualidade, o vírus da Zika circula em todos os estados brasileiros e mais de 90.000 casos da virose já foram relatados pelos profissionais de saúde nestes dois últimos meses.

As evidências científicas da transmissibilidade do vírus da mãe para o feto no decorrer do período de gestação foram se acumulando nestes últimos meses em uma velocidade inacreditável e hoje temos dados científicos que comprovam a presença do vírus no tecido placentário, no líquido amniótico e nas células do sistema nervoso do feto. Estudos recentes demonstram ainda que o vírus da Zika induz a morte de células do sistema nervoso em desenvolvimento em laboratório em cultivos celulares.

Outras graves consequências desta infecção são a Síndrome de Guillain-Barré que pode levar à paralisia dos membros, do sistema digestivo e do sistema respiratório, podendo levar os pacientes afetados à internação em UTI por períodos prolongados e a sequelas neurológicas. Casos de meningite, meningoencefalite, problemas auditivos e alterações oftalmológicas também já foram relatados.

Não há perspectiva do desenvolvimento rápido de uma vacina que venha a proteger a população desta virose e todos os nossos esforços devem ser concentrados no controle da proliferação dos mosquitos vetores. A busca de medicamentos que possam reduzir ou eliminar os efeitos negativos do vírus da Zika sobre as células nervosas imaturas do feto já está em andamento, havendo evidências de que um fármaco empregado no combate à malária, a cloroquina, é capaz de reduzir a morte de células jovens do sistema nervoso em laboratório.

É preciso acreditar que o esforço conjunto de nossos cientistas gerará uma melhor compreensão do vírus, da infecção, das respostas imunológicas elaboradas pelos indivíduos infectados, das variadas lesões provocadas pelo vírus da Zika para que possamos desenvolver uma vacina eficaz ou um tratamento para esta nova arboviroses que assola o Brasil e outros países das Américas. Aguardemos!

Visite a nossa revisão sobre o tema se desejar fazer um estudo mais aprofundado sobre todas estas questões.

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Autora: Professora Lucia Cangussu

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Meu nome é Lucia Regina Cangussu da Silva, mineira quase baiana, bióloga, amante da vida, da família, dos amigos, da natureza e da ciência. Sempre adorei estudar e ensinar. Faço isso desde que me entendo por gente! Faço parte do grande grupo dos “nerds”! Já na graduação na UFMG me apaixonei pelo mundo microbiano logo na primeira aula com as Professoras Betinha e Patrícia. Foi realmente um amor à primeira vista e fico sempre me perguntando o motivo, já que os microrganismos nem sempre são tão bons, bonitos e gostosos como se esperaria! Talvez seja porque, como a maioria dos microrganismos, posso quase ser medida em micrômetros. Este mundo invisível sempre me fascinou e não canso de estudá-lo. Tornei-me o que o meu caro professor Humberto Carvalho condenava... estudante profissional! Lamento, Mestre!