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Covid-19 e sua geladeira

O vírus SARS-CoV-2, causador da Covid-19, foi mantido por 14 dias, em meio de transporte, em diferentes temperaturas e depois foi inoculado em uma cultura de células para testar até que temperatura o vírus permanecia infeccioso. O SARS-CoV-2 da Covid-19 se mostrou extremamente estável em uma ampla faixa de temperaturas que foram testadas.

À temperatura de geladeira (4ºC) o vírus manteve aproximadamente a mesma capacidade de infecção até 14 dias. Espantoso, não? Sua infecciosidade foi reduzida em apenas 50% após 7 dias na temperatura de 22ºC. Quando o vírus SARS-CoV-2 foi incubado na temperatura de 37ºC esta mesma redução (50%) foi atingida em 24 horas. Acho que podemos assumir que mesmo em locais onde a temperatura ambiente é mais elevada, o vírus SARS-CoV-2 resistirá bravamente!

A coisa começa a ficar melhor para o nosso lado quando utilizamos o calor de forma proposital.  Quando o vírus SARS-CoV-2 foi aquecido a 56º C,  em 10 minutos a infecciosidade foi reduzida a 50%. Melhorou, mas será que pode ficar melhor? Na temperatura de 70ºC, aproximadamente a temperatura que é utilizada nos processos de pasteurização convencional na indústria de alimentos,  o vírus perdeu completamente sua infecciosidade após 5 minutinhos! Vale ressaltar que os autores deste estudo não testaram os tempos de 2, 3 ou 4 minutos e pode ser que o vírus SARS-CoV-2 seja inativado antes dos 5 minutos. Eu não sei por você, mas por mim, se eu destruir este danado em 5 minutos, já me dou por satisfeita!

Portanto, devemos ter muito cuidado com os produtos refrigerados que adquirimos  no comércio e que trazemos para nossos lares. Eles podem estar contaminados com o vírus SARS-CoV-2 e o vírus contaminará nossas mãos, a bancada ou a pia da cozinha e nossa geladeira. Estes produtos devem ser necessariamente lavados com água e sabão. Se você desejar, depois desta etapa essencial de lavagem, você poderá desinfetá-los com álcool 70% antes de colocá-los em sua geladeira.

O fato do vírus vírus SARS-CoV-2 ter sensibilidade ao calor é muito bom! O uso do aquecimento para matar microrganismos é um ensinamento do mestre Louis Pasteur, o pai da microbiologia de alimentos. Ele demonstrou que a fervura matava microrganismos em um experimento conduzido em 1861! Sempre que possível,  devemos dar preferência aos métodos físicos, como o aquecimento, ao invés de utilizarmos produtos químicos na desinfecção de objetos, tecidos, vasilhas, dentre outros.  Não é à toas que as mâes fervem as mamadeiras, né? Em tempos de Covid-19 e fora deles, a sua saúde e a natureza agradecem se você reduzir o uso de produtos químicos. Atualmente, o seu bolso também!

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Cuide-se e continue o isolamento físico que nos protege mutuamente! Um abraço carinhoso!

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Autora: Professora Lucia Cangussu

prof

Meu nome é Lucia Regina Cangussu da Silva, mineira quase baiana, bióloga, amante da vida, da família, dos amigos, da natureza e da ciência. Sempre adorei estudar e ensinar. Faço isso desde que me entendo por gente! Faço parte do grande grupo dos “nerds”! Já na graduação na UFMG me apaixonei pelo mundo microbiano logo na primeira aula com as Professoras Betinha e Patrícia. Foi realmente um amor à primeira vista e fico sempre me perguntando o motivo, já que os microrganismos nem sempre são tão bons, bonitos e gostosos como se esperaria! Talvez seja porque, como a maioria dos microrganismos, posso quase ser medida em micrômetros. Este mundo invisível sempre me fascinou e não canso de estudá-lo. Tornei-me o que o meu caro professor Humberto Carvalho condenava... estudante profissional! Lamento, Mestre!