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Bactérias multirresistentes em esgoto hospitalar.

Um estudo conduzido na Austrália avaliou a presença de bactérias multirresistentes a antibióticos no esgoto hospitalar, na entrada da estação de tratamento de esgotos (ETE) e no efluente já tratado da estação. Os pesquisadores isolaram 245 linhagens de Escherichia coli (o famoso coliforme fecal) e 167 linhagens de Staphylococcus aureus (uma das bactérias comuns na pele humana e de animais). As linhagens foram submetidas à tipagem molecular, sendo que 7 linhagens de E. coli e 7 de S. aureus eram multirresistentes, sendo estas últimas encontradas por duas vezes no efluente na saída da estação de tratamento de esgotos.

As espécies multirresistentes de Staphylococcus aureus vêm se disseminando a vários anos para as comunidades causando sérias infecções cutâneas, infecções urinárias inclusive em crianças, infecções em atletas e em praticantes de esportes de contato, dentre outras. A presença de bactérias multirresistentes em hospitais é um fato e sua presença nos esgotos de pias, ralos de banheiros, água de baldes de limpeza, descarga de vasos sanitários também já é esperado.  Contudo, quando o hospital dispõe de uma ETE, o esgoto passará pelas diversas fases de tratamento com digestão da matéria orgânica por microrganismos aeróbios e anaeróbios, devendo ser submetido ao tratamento secundário e desinfecção antes de seu lançamento. Métodos de oxidação ou com luz UV têm sido propostos para estas etapas finais, inclusive para se evitar a descarga de fármacos, de outros produtos químicos e de produtos radioativos nos corpos de água dos municípios onde estas instituições se encontram.

Estudos como este que foi realizado na Austrália evidenciam o potencial para a disseminação de bactérias multirresistentes através de esgotos hospitalares, mesmo após seu tratamento. Lançam ainda um alerta para a necessidade de normatização mais rigorosa, de etapas de pré-tratamento ou tratamento específicos capazes de garantir que estes microrganismos portadores de múltiplos genes de resistência não serão disseminados para os corpos de água superficiais passando a ser detectados como agentes de infecções na comunidade.

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Autora: Professora Lucia Cangussu

prof

Meu nome é Lucia Regina Cangussu da Silva, mineira quase baiana, bióloga, amante da vida, da família, dos amigos, da natureza e da ciência. Sempre adorei estudar e ensinar. Faço isso desde que me entendo por gente! Faço parte do grande grupo dos “nerds”! Já na graduação na UFMG me apaixonei pelo mundo microbiano logo na primeira aula com as Professoras Betinha e Patrícia. Foi realmente um amor à primeira vista e fico sempre me perguntando o motivo, já que os microrganismos nem sempre são tão bons, bonitos e gostosos como se esperaria! Talvez seja porque, como a maioria dos microrganismos, posso quase ser medida em micrômetros. Este mundo invisível sempre me fascinou e não canso de estudá-lo. Tornei-me o que o meu caro professor Humberto Carvalho condenava... estudante profissional! Lamento, Mestre!