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Palestra: Biodiversidade na Semana da Biologia no CES/JF.

Fui convidada recentemente para fazer a palestra de abertura da XII Semana de Biologia do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (CES/JF) que tem como mantenedora a Sociedade Mineira de Cultura, a mantenedora da Pontifica Universidade Católica de Minas Gerais (PUC MINAS). A proposta nos surpreendeu porque de biodiversidade, nos últimos anos, só temos abordado a diversidade microbiana. Como novos desafios sempre nos empolgaram e como estudar sempre foi a nossa “praia” decidimos que aceitaríamos o desafio de tentar levar a estes jovens estudantes do Curso de Biologia o nosso olhar sobre o tema. Ficamos imensamente honrados com o convite.

Falar sobre biodiversidade brasileira é ao mesmo tempo extremamente fácil e praticamente impossível. Fácil porque vivemos em um dos países com a maior biodiversidade do planeta, sendo possível discursar por horas a fio sobre os diferentes biomas e suas espécies animais, vegetais ou microbianas, condições climáticas, recursos hídricos, dentre outros aspectos. Difícil porque o volume de informações disponíveis para uma palestra é imenso e os enfoques a serem dados são variados. Além disso, tudo na natureza é tão lindo que dá vontade de ficar pesquisando fotos e informações de cada uma das espécies e nunca mais parar. Viver de biologia e de biodiversidade, este se torna o desejo instantaneamente!

Nesta palestra decidimos tentar mostrar para estes jovens que “eles nasceram no melhor lugar do mundo para se estudar biologia”. Nada como ser jovem, ter um mundo à sua frente, bom ânimo, curiosidade científica, uma boa dose de gosto por aventuras e/ou um fascínio por uma bancada de laboratório! O nosso país conta com seis biomas distintos: Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampas. Segundo o Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira, o Brasil possui 1,8 milhões de espécies das quais apenas cerca de 11% foram catalogadas (116.087 espécies da fauna e 46.096 espécies de plantas e de fungos). Consequentemente, o que não falta para um bom biólogo é material para estudos científicos e para a divulgação em todos os tipos de mídia.

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Infelizmente, um vasto número de espécies já foi eliminado antes que pudéssemos estudar suas características morfológicas, fisiológicas e genéticas, descobrir seu papel no meio ambiente, sua capacidade competitiva, seu potencial para a produção de fibras, fármacos, corantes, dentre outros. Estamos perdendo um espaço no mercado mundial que poderia se explorado com o uso sustentável destas espécies. Esta perda de biodiversidade é discutida desde que eu me encontrava na graduação na UFMG e até hoje, quando retomo este tema, deparo com a triste constatação de que não temos formado mão de obra especializada suficiente e nem contamos com os recursos financeiros e tecnológicos para o estudo de toda esta riqueza natural de nosso país.

Apresentamos, no decorrer da palestra, os dados numéricos das espécies da flora e da fauna de cada bioma destacando, em cada um deles, a riqueza de sua biodiversidade, o número relativamente reduzido de espécies catalogadas, as espécies ameaçadas de extinção ou em extinção e os principais determinantes desta situação, etc. Acima de tudo, tentamos encher os olhos e o coração destes jovens de “bio”: biobeleza, bioarte, biosurpresas, bioadmiração, bioencantamento, biopossibilidades, biocuriosidade, bioresponsabilidade, biociência, biosonhos, biodesejos e de muito bioânimo!

O biólogo é um profissional com inúmeros campos de atuação definidos pela Resolução nº 227/2010, de 18 de agosto de 2010 que regulamenta as atividades profissionais e as áreas de atuação do biólogo como sendo (1) Meio Ambiente e Biodiversidade, (2) Saúde e (3) Biotecnologia e Produção. Quando analisamos esta legislação chegamos à conclusão que biólogo é quase igual a Bombril®, mil e uma utilidades ou que é o famoso “pau para toda obra”. Viva nós, podemos quase tudo! Mas para tanto, é necessário construir o saber e as habilidades específicas de cada atuação.

Para jovens que estão iniciando a carreira na biologia, creio ser importante a aquisição de conhecimentos sobre essas possibilidades legais de atuação para que possam escolher, após consultarem os desejos escondidos no fundo de seus corações, em qual das três áreas querem atuar e qual rumo pretendem dar as suas carreiras para que não lhes suceda o que aconteceu comigo…. Uma maluca que já fez de quase tudo um pouco desde estagiar em laboratório de biologia molecular, passear pelo universo agronômico, estudar fungos de solo, plantar palmeiras em Mata Atlântica, penetrar no universo das perebas causadas por microrganismos patogênicos por mais de uma década, mergulhar na microbiologia da água, devorar a microbiologia de alimentos e ainda dar uma passeada pela imunologia. Uma criatura que já estudou um pouco de muitas coisas e que quando acha que sabe um pouco, não sabe de nada! É um eterno retomar a caminhada a partir da estaca zero! Esta é a sina do biólogo inquieto (para não dizer sem foco!). Tenho uma alma que ama uma descoberta, um novo aprendizado!

A minha “loucura” do momento é fazer divulgação científica a qualquer custo! Não sei nada a respeito disso, mas aqui estou eu fingindo que sei. O espaço midiático brasileiro já está repleto de boas e más notícias sobre biodiversidade, sobre as contribuições dos biólogos brasileiros na pesquisa, gestão e proteção da biodiversidade, nas descobertas sobre agentes infecciosos e seus mecanismos de agressão, na geração de novos métodos de diagnóstico, no advento de vacinas, no cultivo de células-tronco, dentre outros. As universidades, principalmente as públicas, vêm avançando no sentido de dar apoio aos sites e blogs de seus professores e pesquisadores, aos seus canais no Youtube®, dentre outras iniciativas. Acredito que quanto mais interatividade melhor, quanto mais informação melhor, quanto mais gente divulgando a biologia melhor! Eu estou mais uma vez, no meu lugar de sempre, estudando e aprendendo. Sou uma amante incondicional das ciências biológicas e me delicio a cada novo aprendizado que realizo! Amo ensinar e gostaria de saber muito mais para compartilhar com meus alunos e com todos vocês. Penso que é preciso estudar, aprender, ensinar e divulgar as ciências biológicas, sempre! É uma ciência complexa como a própria vida e sei que estarei sempre sujeita a errar ao tentar divulgá-la. Errar faz parte do aprendizado, não vou me deter por isso.  Digo sempre para meus alunos que errar não é feio, feio é não estar disposto a aprender e a se corrigir.

Um grande abraço para todos os biólogos e aos estudantes de biologia, especialmente aos do CES/JF! Sucesso em seus estudos e em suas carreiras! Canalizem a sua criatividade para o estudo e a divulgação desta ciência rica e acolhedora que nos oferece tantas possibilidades de atuação profissional!

Coloco abaixo alguns links que podem lhes ser úteis.

http://www.mma.gov.br/biodiversidade

https://portaldabiodiversidade.icmbio.gov.br/portal/

http://cncflora.jbrj.gov.br/portal

http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/listaBrasil/PrincipalUC/PrincipalUC.do#CondicaoTaxonCPhttp://siscom.ibama.gov.br/monitora_biomas/

http://www.programaarpa.gov.br/wp-ontent/uploads/2012/10/arpaBiodiversidade.pdf

http://www.inpe.br/noticias

http://www.ibama.gov.br/institucional/diretoria-de-uso-sustentavel-da-biodiversidade-e-floresta-dbflo

http://www.wwf.org.br/wwf_brasil/

http://www.gbif.org/

http://www.brmicrobiome.org/

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-33062006000100002

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Autora: Professora Lucia Cangussu

prof

Meu nome é Lucia Regina Cangussu da Silva, mineira quase baiana, bióloga, amante da vida, da família, dos amigos, da natureza e da ciência. Sempre adorei estudar e ensinar. Faço isso desde que me entendo por gente! Faço parte do grande grupo dos “nerds”! Já na graduação na UFMG me apaixonei pelo mundo microbiano logo na primeira aula com as Professoras Betinha e Patrícia. Foi realmente um amor à primeira vista e fico sempre me perguntando o motivo, já que os microrganismos nem sempre são tão bons, bonitos e gostosos como se esperaria! Talvez seja porque, como a maioria dos microrganismos, posso quase ser medida em micrômetros. Este mundo invisível sempre me fascinou e não canso de estudá-lo. Tornei-me o que o meu caro professor Humberto Carvalho condenava... estudante profissional! Lamento, Mestre!