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Curso: Identificação de cianobactérias em águas de mananciais superficiais.

As cianobactérias são seres procariontes (que não apresentam organelas membranosas no citoplasma de suas células) constituindo um dos grupos microbianos mais antigos do planeta Terra. Estas bactérias apresentam morfologias variadas que vão desde formas esféricas até formas filamentosas longas compostas por dezenas de células. As formas esféricas tendem a se dividir em um ou mais planos formando agrupamentos denominados de colônias que são bastante variáveis quanto ao número, tamanho e densidade de suas células, podendo ser revestidas por material mucilaginoso, mais ou menos abundante nas diferentes espécies.

As cianobactérias apresentam em comum a presença de pigmentos para captação da energia luminosa. Esta característica lhes permite incorporar o CO2 atmosférico em compostos orgânicos pelo processo de fotossíntese. Como um dos produtos deste processo é o oxigênio, estas bactérias são responsáveis pela liberação de uma porcentagem considerável deste elemento na nossa atmosfera.

Sob condições especiais no ambiente aquático, as espécies de cianobactérias podem proliferar de forma intensa formando o que se denomina de florações ou “blooms” (em inglês). Nestas circunstâncias, podem comprometer a saúde da população que é servida pelo manancial ou que pratica atividades de recreação aquática no local da floração. Isto porque várias espécies de cianobactérias produzem e liberam na água compostos tóxicos, denominados conjuntamente de cianotoxinas, que podem afetar o sistema nervoso, o fígado e a pele do homem e de outros animais, dentre outros efeitos deletérios. A exposição a elevadas concentrações destas toxinas pode inclusive resultar em óbito. Portanto, seu monitoramento em recursos hídricos é imperativo!

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No decorrer de minha jornada nas Ciências Biológicas e, mais especificamente, na Microbiologia sempre me interessei por estes microrganismos. Alguns aspectos teóricos, como a fixação biológica do nitrogênio realizada por algumas espécies de cianobactérias, foram abordados nas disciplinas do meu mestrado. Contudo, a minha carreira me conduziu para a área da saúde e eram muitos patógenos a serem estudados. Acabei deixando as cianobactérias um pouco de lado, apesar de sempre mencionar sua produção de toxinas no início de cada semestre letivo na introdução aos grupos microbianos. Desde que decidi aprender mais sobre a microbiologia da água e construir este site, tenho lido alguns livros e manuais sobre as cianobactérias, suas toxinas e sobre os métodos disponíveis para seu cultivo e controle em mananciais para abastecimento público, mas sentia que havia ainda um vazio…

Não resisti à tentação de fazer um Curso de Identificação de Cianobactérias. Para tanto, fui à Escola Superior da CETESB, em São Paulo, onde as Professoras Maria do Carmo Carvalho, Denise Amazonas Pires, Luciana Haipek Mosolino Lerche e Maria Cristina S. Coelho ministraram um fantástico curso sobre este grupo microbiano. Estas mestras nos guiaram com tanto carinho e zelo, passo a passo, da teoria à prática, que terminamos o curso em um estado de total encantamento e com um sentimento de que não podemos parar de estudar estas bactérias. Afinal de contas, esta é a missão dos verdadeiros mestres, daqueles que guardamos para sempre em nossas memórias… encantar! Eu me considero uma pessoa privilegiada por ter sempre contado com mestres fantásticos desde o início de minha formação e por continuar sendo uma eterna aprendiz.

Como tudo na vida, as coisas ficam ainda melhores quando temos gente do bem, amiga e companheira por perto. E isso também não faltou. As três colegas de curso foram maravilhosas: Katelyn Karine Caldeira Miguel, Lívia J. B. Camera e Maria Aparecida Granado. Diversão e ciência, minha mistura favorita! Espero, em futuro próximo, estar postando neste site informações relevantes sobre as cianobactérias. No momento, estou feliz em poder compartilhar este momento com vocês.

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Autora: Professora Lucia Cangussu

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Meu nome é Lucia Regina Cangussu da Silva, mineira quase baiana, bióloga, amante da vida, da família, dos amigos, da natureza e da ciência. Sempre adorei estudar e ensinar. Faço isso desde que me entendo por gente! Faço parte do grande grupo dos “nerds”! Já na graduação na UFMG me apaixonei pelo mundo microbiano logo na primeira aula com as Professoras Betinha e Patrícia. Foi realmente um amor à primeira vista e fico sempre me perguntando o motivo, já que os microrganismos nem sempre são tão bons, bonitos e gostosos como se esperaria! Talvez seja porque, como a maioria dos microrganismos, posso quase ser medida em micrômetros. Este mundo invisível sempre me fascinou e não canso de estudá-lo. Tornei-me o que o meu caro professor Humberto Carvalho condenava... estudante profissional! Lamento, Mestre!