• Colônias de Vibrio cholerae em ágar TCBS

    Colônias de Vibrio cholerae em ágar TCBS

  • Microscopia óptica de Vibrio cholerae para visualização de flagelos

    Microscopia óptica de Vibrio cholerae para visualização de flagelos

  • Microscopia eletrônica de varredura de Vibrio cholerae.

    Microscopia eletrônica de varredura de Vibrio cholerae.

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Morfologia

  • São bacilos, geralmente recurvados que se apresentam em forma de vírgula ou lua minguante.
  • São bacilos Gram-negativos.
  • Extremamente móveis em meio líquido por apresentarem flagelo polar.
  • Apresentam  fímbrias que são pelos curtos responsáveis pela adesão ao epitélio intestinal.
  • O sorogrupo O139 apresenta cápsula de polissacarídeo (camada pegajosa em torno das células).

Fisiologia

  • São bactérias anaeróbias facultativas.
  • A maioria das espécies é halofílica, necessitando de NaCl em concentrações variáveis para seu crescimento.
  • O Vibrio cholerae e Vibrio mimicus são exceções, pois crescem tanto na presença como na ausência deste sal.
  • Multiplicam-se bem em temperaturas de 20 a 40º C e em pH de 6,5 a 9,0.

Ecologia

  • As espécies do gênero Vibrio são naturais do ambiente aquático e
    consideradas patógenos facultativos.
  • Predominam em águas doces e salinas com temperaturas mais quentes (acima de 15º C) onde ocorrem no estado planctônico (células individuais nadando livremente na água) ou aderidas à superfícies vivas (insetos, fungos, crustáceos, etc.) e não vivas formando biofilmes.
  • Muitas são comuns em ambientes marinhos e em estuários onde a água do mar se mistura com a água doce dos rios.
  • O único reservatório de Vibrio cholerae é o próprio homem.

Taxonomia

  • As bactérias do gênero Vibrio pertencem à família Vibrionaceae.
    O gênero apresenta mais de 120 espécies.
  • O Vibrio cholerae é a espécie mais comumente relatada em surtos em humanos.
  • Esta espécie apresenta mais de 200 sorogrupos.
  • Os sorogrupos O1 e O139 isolados em epidemias de cólera produzem a toxina colérica.
  • O sorogrupo O1 é subdividido nos biovares Clássico e El Tor devido à variações genéticas.
  • Os víbrios não-O1/O139 raramente produzem toxina, mas podem causar diarreia por outros mecanismos.

Doenças em Humanos

  • As espécies do gênero Vibrio provocam diarreia de origem alimentar branda ou cólera (diarreia aquosa intensa com aspecto descrito como “água de arroz” devido à sua cor esbranquiçada).
  • A diarreia resulta facilmente em desidratação na ausência de cuidados médicos eficazes.
  • Os Vibrios sp podem ainda causar infecções de feridas, infecções urinárias, sepse, meningites, dentre outros quadros clínicos.

Prevenção

• O acesso a água potável é a melhor prevenção contra a cólera.
• Evitar a ingestão de alimentos de origem vegetal crus, sem prévia sanitização.
• Evitar o consumo de mariscos e outros frutos do mar de origem não certificada.
• Evitar nadar e praticar outras atividades aquáticas em rios, lagos ou mares contaminados com a bactéria.

Presença em água para consumo humano

• A presença de espécies de vibrios produtores de toxina na água consumida pela população humana já causou sete pandemias de cólera.
• O Vibrio cholerae foi a primeira bactéria a ser relatada no estado VBNC (viable but non-culturable) na água. Neste estado as células não crescem em meios de cultivo tradicionais, apesar de continuarem metabolicamente ativas.
• As células no estado VBNC sobrevivem por cerca de três meses na água, representando um reservatório ambiental deste patógeno.
• Estas bactérias são detectadas no interior de amebas de vida livre e em seus cistos onde ficam protegidas da competição e de produtos desinfetantes.
• Epidemias de cólera associadas ao consumo de água não potável ainda ocorrem em diversas partes do mundo.
• No Brasil, várias espécies do gênero já foram identificadas em amostras de água doce e salina, inclusive linhagens portadoras de genes para a produção da toxina, indicando que há risco de nova epidemia no país.

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