• Leptospira spp em cultura em meio EMJH formando o anel de Dinger.

    Leptospira spp em cultura em meio EMJH formando o anel de Dinger.

  • Leptospira spp coradas em negro pela prata em corte renal.

    Leptospira spp coradas em negro pela prata em corte renal.

  • Microscopia eletrônica de varredura de Leptospira interrogans.

    Microscopia eletrônica de varredura de Leptospira interrogans.

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Morfologia

  • As leptospiras são bactérias longas e espiraladas semelhantes saca-rolhas (espiroquetas).
  • Apresentam flagelos não detectáveis na superfície bacteriana porque se encontram abaixo de uma membrana externa que reveste estas bactérias. Ficam assim recobertos, sendo denominados como endoflagelos ou filamentos axiais.
  • A presença dos flagelos espiralados lhes possibilita deslocar em meio líquido ou nos tecidos humanos de forma semelhante ao deslocamento de um saca-rolhas em uma rolha de uma garrafa perfurando células e vencendo barreiras.

Fisiologia

  • As bactérias do gênero Leptospira são aeróbias estritas a microaerófilas (toleram apenas baixas concentrações de oxigênio).
  • Nutricionalmente fastidiosas (exigentes em termos nutricionais) crescendo lentamente em cultura (1 a 2 semanas), o que dificulta sua detecção em amostras clínicas e ambientais.
  • A temperatura ideal de crescimento está ao redor de 30º C e em pH neutro.
  • O pH ideal para estas bactérias varia de 7,2 a 7,4.

Ecologia

  • As leptospiras colonizam os túbulos renais de animais que servem como reservatórios destas bactérias e que podem apresentar pouco ou nenhum sinal da infecção.
  • Muitas espécies de mamíferos e anfíbios podem atuar como
    reservatórios como roedores, caninos, suínos, bovinos e anfíbios. Animais como focas e leões marinhos podem também ser infectados.
  • As bactérias são liberadas na urina e sobrevivem horas ou dias em solos úmidos, áreas de forragem, estábulos, pátios de fazendas, mananciais de água e em alimentos.
  • A sobrevivência é variável para diferentes sorotipos e sob diferentes condições de temperatura, pH, insolação, dentre outros.

Taxonomia

  • As bactérias do gênero Leptospira pertencem à família Leptospiraceae.
  • O gênero Leptospira apresenta em torno de 23 espécies.
  • As espécies patogênicas são distribuídas nos Grupos I e II.
  • As leptospiras do Grupo I são classificadas em mais de 250 sorotipos e provocam doenças graves, inclusive a leptospirose humana.
  • A Leptospira interrogans, com seus múltiplos sorotipos, é o agente mais comum da leptospirose em todo o mundo.
  • As leptospiras do Grupo II provocam doenças mais brandas, geralmente autolimitadas.
  • As demais espécies são saprófitas.

Doenças em Humanos

  • As leptospiras causam a leptospirose, uma doença cujos sintomas na fase aguda assemelham-se aos de uma gripe com febre, dores de cabeça, anorexia, dores musculares e abdominais, calafrios, vômitos, náuseas e mal estar generalizado.
  • A leptospirose apresenta-se de forma assintomática ou branda em alguns indivíduos.
  • Em outros a leptospirose pode evoluir para quadros graves como a Síndrome de Weil que cursa com falência renal e hepática, hemorragia, miocardiopatia, meningite e encefalite podendo resultar em sequelas crônicas associadas ao sistema respiratório ou ao sistema nervoso ou morte do indivíduo infectado.

Prevenção

  • Evitar contato com qualquer tipo de material ou objeto que teve contato com urina de animais.
  • Evitar que alimentos que serão consumidos crus ou mesmo os industrializados entrem em contato com urina de animais durante  sua produção, transporte ou armazenamento.
  • Evitar nadar em águas naturais contaminadas.
  • Evitar a presença de roedores na área da piscina.
  • Vacinas para animais domésticos e de produção (cães, bovinos e suínos) são comercializadas, mas não existem vacinas contra a  leptospirose aprovadas para uso em humanos no Brasil.

Presença em água para consumo humano

  • Espécies do gênero Leptospira sobrevivem em água superficial e esta sobrevivência pode ser superior a 150 dias em águas com pH mais alcalino.
  • As espécies saprófitas do gênero Leptospira persistem melhor em águas superficiais e formam biofilmes muito mais rapidamente que as espécies patogênicas que evoluíram para viver no corpo do hospedeiro.
  • A formação de biofilmes pode ocorrer em água com baixo teor de
    matéria orgânica em temperaturas que variam de 21 a 30º C.
  • As leptospiras já foram encontrados em tubulação de água utilizada para tratamento odontológico representando um risco para os pacientes.
  • O contato com água não tratada (natural) é um dos fatores de risco identificados para a infecção por leptospiras de diferentes sorotipos no Brasil, sendo os casos mais numerosos em populações pobres que vivem em íntimo contato com solo e água em regiões rurais.
  • A associação entre desastres naturais como tempestades e enchentes e a transmissão de leptospiras é evidente devido ao aumento de incidência de leptospirose na estação chuvosa em nosso país.
  • As leptospiras podem ser isoladas em água de poços, riachos, canais, reservatórios de água, bebedouros de animais e em amostras de água dos domicílios na região rural.
  • No ambiente urbano, as leptospiras saprófitas e patogênicas são
    isoladas de efluentes de esgoto, lagos e pântanos.
  • O fornecimento de água potável resulta na redução da incidência de leptospirose humana, evidenciando a sensibilidade desta bactéria aos produtos clorados.

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