Burkholderia pseudomallei > Atlas > Microbiologia da Água

  • Burkholderia pseudomallei em cultura em Ágar PC.

    Burkholderia pseudomallei em cultura em Ágar PC.

  • Burkholderia pseudomallei coloração bipolar característica

    Burkholderia pseudomallei coloração bipolar característica

  • Burkholderia pseudomallei em microscopia eletrônica de varredura evidenciando seus flagelos.

    Burkholderia pseudomallei em microscopia eletrônica de varredura evidenciando seus flagelos.

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Morfologia

  • As células de Burkholderia pseudomallei são bacilos curtos que podem alterar sua forma para esférica (cocóide) ou espiralada sob condições de elevada salinidade ou acidez ambientais.
  • As células de Burkholderia spp coram-se em rosa pela coloração de Gram sendo, portanto, Gram-negativas apresentando a característica peculiar de algumas células corarem-se apenas nos polos celulares (nos dois extremos do bacilo) ficando a região citoplasmática sem cor (Figura 2).
  • Estas bactérias são móveis apresentando flagelos lofotríquios (flagelos em uma das extremidades celulares).
  • Possuem a capacidade de variação fenotípica tanto em cultura quanto no decorrer da infecção resultando em variações da morfologia colonial em cultura.

Fisiologia

  • As células de Burkholderia pseudomallei são oxidase-negativas.
  • Estas bactérias são incapazes de realizar a fixação biológica do nitrogênio atmosférico como outras espécies deste gênero.
  • Acumulam reservas de carbono no citoplasma.
  • São bastante tolerantes às variações de pH entre 4,0 e 8,0.
  • As células podem entrar no estado “viável, mas não cultivável” (VBNC) impedindo sua detecção em meios de cultura tradicionais para análise de amostras de água.

Ecologia

  • As espécies do gênero Burkholderia são originárias do solo, principalmente próximo às raízes, sobrevivendo por longos períodos em solos úmidos com pH entre 5,0 e 8,0.
  • Sobrevivem no interior de amebas de vida livre e de seus cistos e também em hifas e em esporos de fungos micorrízicos presentes no solo.
  • Estas bactérias ocorrem também na água de rios, cisternas e poços.

Taxonomia

  • Estas bactérias pertencem à família Burkholderiaceae.
  • A única espécie do gênero de relevância comprovada em doenças de veiculação hídrica é a Burkholderia pseudomallei.

Doenças em Humanos

  • Burkholderia pseudomallei é o agente causal da melioidose, uma das doenças emergentes nos trópicos.
    • Foi relatada pela primeira vez em 2003 em humanos no Brasil.
    • A melioidose é endêmica no sudeste asiático e na Austrália.
    • A infecção na pele é caracterizada pela formação de úlceras, nódulos ou abscessos.
    • Pode afetar o sistema respiratório causando bronquite ou pneumonia severa que pode evoluir para sepse.
    • Quando a bactéria dissemina ocorre a formação de abscessos no fígado, pulmões, baço e próstata, podendo ocorrer envolvimento de articulações, nódulos linfáticos e sistema nervoso.
    • Algumas infecções podem ser assintomáticas.

Prevenção

  • Evitar o contato de feridas com água contaminada.
  • Usar botas de borracha para trabalhar em solos alagados.

Presença em água para consumo humano

  • Burkholderia pseudomallei pode isolada em amostras de água potável com cloro residual no nível recomendado.
  • A resistência ao cloro é variável em diferentes linhagens, sendo mais sensível ao cloro do que à cloramina.
  • São componentes de biofilmes de tanques de armazenamento de água clorada de estações de tratamento da água.
  • Estas bactérias são isoladas de chuveiros e torneiras onde sua veiculação em gotículas e aerossóis seria facilitada.
  • No Brasil, a doença é comum no Ceará porque a população utiliza águas superficiais de rios e lagos para lavagem de roupas, vasilhas e higiene pessoal.

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