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  • Cultura de Acinetobacter sp em ágar cromogênico.

    Cultura de Acinetobacter sp em ágar cromogênico.

  • Acinetobacter baumannii após coloração de Gram.

    Acinetobacter baumannii após coloração de Gram.

  • Variantes morfológicos de Acinetobacter sp em microscopia eletrônica de varredura.

    Variantes morfológicos de Acinetobacter sp em microscopia eletrônica de varredura.

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Morfologia

  • As bactérias do gênero Acinetobacter são Gram-negativas corando-se em rosa pela coloração de Gram.
  • Apresentam a forma variável (pleomórficas), sendo visualizadas como cocobacilos (algumas células mais esféricas e outras mais alongadas como bacilos), assumindo a forma esférica (cocoide ) em condições nutricionais adversas (Figuras 2 e 3).
  • São imóveis, não apresentando flagelos (Acineto significa incapaz de movimentação em grego).
  • Podem apresentar cápsula (camada pegajosa em torno das células) e fímbrias (pelos curtos na superfície celular) para adesão e formação de biofilmes (grupo de microrganismos que aderidos formando uma comunidade em uma dada superfície).

Fisiologia

  • As espécies de Acinetobacter são estritamente aeróbias (proliferam na presença de oxigênio).
  • São catalase positivas.
  • Indol negativas e oxidase-negativas (não fermentadoras).
  • A maioria é incapaz de reduzir nitrato a nitrito.
  • Algumas espécies de Acinetobacter são termotolerantes proliferando em temperaturas próximas de 50º C.
  • Outras espécies de Acinetobacter são psicrotróficas proliferando em temperaturas tão baixas quanto 4º C.
  • São muito versáteis em termos metabólicos podendo utilizar uma grande variedade de compostos, inclusive compostos aromáticos, como fontes de carbono e de energia.
  • São resistentes à elevação da concentração salina, podendo ser encontradas em águas de estuários e em águas marinhas.

Ecologia

  • As espécies do gênero Acinetobacter são comuns no ambiente, vivendo como saprófitas (deteriorantes de matéria orgânica), no solo, rios, lagos, mares, esgotos, alimentos, plantas, etc.
  • Os ambientes aquáticos de água doce e os de água marinha são considerados as fontes naturais principais espécies de Acinetobacter.
  • As espécies de Acinetobacter fazem parte da microbiota da pele e das mucosas de animais, inclusive do homem, sendo frequentemente isoladas em culturas de secreções de pacientes hospitalizados.
  • Podem sobreviver por dias ou meses em superfícies secas.
  • As linhagens hospitalares de Acinetobacter são, em sua grande maioria, multirresistentes aos antimicrobianos. Estas são liberadas do corpo do indivíduo infectado em gotículas que atingem o ar, o mobiliário, os vasilhames, as pias e, consequentemente, a rede de esgoto hospitalar. Se o esgoto não for captado e adequadamente tratado na estação de tratamento de esgotos (ETE) as linhagens multirresistentes disseminam para o meio ambiente atingindo os recursos hídricos.
  • A capacidade de formar biofilmes resulta em sua detecção em tubos de ventilação, filtros de areia e filtros de carvão ativado empregados para o tratamento da água, tubulações de água e esgoto, superfície de piscinas, dentre outros.
  • Nos sistemas de distribuição de água para consumo humano são encontradas tanto na forma planctônica (células livres na água) como na forma de células aderidas a biofilmes, sendo estes favorecidos em temperaturas em torno de 25º C que é comum no ambiente tropical.
  • São as bactérias dominantes em biofilmes em águas com elevado teor de nitrato.
  • Constituem de 1 a 5% de todos os microrganismos isolados de amostras de água clorada, podendo ocorrer em amostras livres de bactérias do grupo dos coliformes.

Taxonomia

  • O gênero Acinetobacter passou por várias revisões taxonômicas, sendo atualmente classificado na família Moraxellaceae.
  • O gênero Acinetobacter apresenta mais de duas dezenas de espécies, sendo as mais comuns em infecções humanas a Acinetobacter baumannii, Acinetobacter calcoaceticus e Acinetobacter lwoffii.

Doenças em Humanos

  • As bactérias do gênero Acinetobacter são consideradas patógenos oportunistas (causam infecções principalmente em indivíduos imunocomprometidos) que resultam em pneumonias, infecções urinárias, infecções de feridas, osteomielites e sepse, dentre outras.
  • Estas infecções são favorecidas pela presença da cápsula e pela capacidade de formação de biofilmes.
  • As infecções respiratórias e de feridas são as que apresentam maior relação com a água ou o ambiente aquático.

Prevenção

  • Não é possível saber de antemão que a água conterá Acinetobacter spp.
  • Como as infecções por espécies de Acinetobacter são primordialmente hospitalares, a adesão às medidas de precaução (higienização das mãos, uso correto de luvas, óculos, jaleco), o manuseio correto de artigos e equipamentos hospitalares, a higienização ambiental e o isolamento de pacientes infectados constituem as melhores medidas de prevenção para evitar as infecções em pacientes hospitalizados.
  • O controle do uso de antimicrobianos é essencial para evitar a seleção de novas linhagens multirresistentes.

Presença em água para consumo humano

  • As células de Acinetobacter spp apresentam sensibilidade variável aos agentes antimicrobianos, inclusive aos desinfetantes empregados no tratamento da água.
  • A maioria dos isolados são ainda sensíveis a concentrações comumente utilizadas de desinfetantes hospitalares como a clorexidina e o cloreto de benzalcônio.
  • A sensibilidade a produtos clorados é variável, apresentando maior sensibilidade ao dióxido de cloro do que ao hipoclorito de sódio.
  • A presença de Acinetobacter sp em biofilmes polimicrobianos pode aumentar a resistência à desinfecção e dificultar a eliminação de biofilmes em água para consumo humano.

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