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Por que jogar bolas plásticas na água?

Na cidade de Los Angeles, Estado da Califórnia, EUA, as autoridades decidiram jogar 96 milhões de bolas plásticas pretas na superfície de um manancial de mais de 12 bilhões de litros. Este volume é suficiente para suprir a cidade com água potável por aproximadamente três semanas.

A função das bolas é sombrear e reduzir a temperatura da água do manancial superficial contribuindo para a diminuição da evaporação, do crescimento de algas e de cianobactérias e de reações químicas que poderiam gerar compostos potencialmente tóxicos. Segundo o Departamento de Água “é desse tipo de solução criativa emblemática que necessitamos para o enfrentamento da crise hídrica”. A iniciativa está em teste desde 2008 e apesar do custo de 34,5 milhões de dólares, reduziu em 85 a 90% a evaporação do manancial gerando uma economia de mais de um trilhão de litros de água que seria suficiente para abastecer 8,100 pessoas com água para consumo.

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Pelo fato de reduzir a proliferação de algas e de cianobactérias, a tecnologia poderá gerar uma economia de 250 milhões de dólares no tratamento da água. As bolas são feitas de polietileno, protegidas contra luz UV e cheias de água para evitar que sejam dispersas pelo vento. Segundo o fabricante, apresentam uma vida útil estimada em 25 anos.

A ideia de utilização destas bolas de polietileno em mananciais superficiais foi do biólogo Brian White e poderíamos listar várias vantagens de sua utilização, dentre elas: a durabilidade, a facilidade de aplicação já que se espalham naturalmente, a facilidade de penetração da água das chuvas evitando formação de poças como ocorre em outros sistemas de sombreamento, a flutuação na superfície do espelho d´água acompanhando as alterações de volume do manancial ao longo do ano, a redução da penetração de luz, do florescimento de algas e de cianobactérias, da temperatura, da perda por evaporação e do acesso de aves e da deposição de seus dejetos na água. Fica ainda em discussão se as bolas liberariam algum tipo de substância tóxica ao sofrerem o aquecimento pelo sol. Nada complexo de se avaliar em um bom laboratório de química ambiental, você concorda?

Fonte: http://news.nationalgeographic.com/2015/08/150812-shade-balls-los-angeles-California-drought-water-environment/

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Autora: Professora Lucia Cangussu

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Meu nome é Lucia Regina Cangussu da Silva, mineira quase baiana, bióloga, amante da vida, da família, dos amigos, da natureza e da ciência. Sempre adorei estudar e ensinar. Faço isso desde que me entendo por gente! Faço parte do grande grupo dos “nerds”! Já na graduação na UFMG me apaixonei pelo mundo microbiano logo na primeira aula com as Professoras Betinha e Patrícia. Foi realmente um amor à primeira vista e fico sempre me perguntando o motivo, já que os microrganismos nem sempre são tão bons, bonitos e gostosos como se esperaria! Talvez seja porque, como a maioria dos microrganismos, posso quase ser medida em micrômetros. Este mundo invisível sempre me fascinou e não canso de estudá-lo. Tornei-me o que o meu caro professor Humberto Carvalho condenava... estudante profissional! Lamento, Mestre!