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Nada como construir belos jardins!

Com a crescente demanda por sustentabilidade nos projetos públicos, novas alternativas vem sendo implantadas em várias cidades em todo o mundo para reduzir o volume de água de chuva que escoa pelo asfalto das grandes cidades, suplantando a capacidade da rede de captação de águas pluviais, resultando em ruas e avenidas alagadas, famílias desalojadas, lojas com seus produtos danificados, automóveis e pessoas arrastadas pela correnteza. Se tudo isto não bastasse, temos os surtos de leptospirose e de outras doenças veiculadas pela água, pois a água das chuvas se mistura com o esgoto urbano (visite o nosso Atlas de microrganismos patogênicos veiculados pela água neste site). Todas esta cenas feias e tristes retornam à nossa memória e aos noticiários todos os anos nos períodos chuvosos no Brasil.

É preciso acreditar nos seres humanos e em sua criatividade para encontrar soluções para os problemas gerados por um crescimento centrado em um modelo de urbanização pouco sustentável. Várias são as propostas para reduzir o volume de água de chuva que escoa nas superfícies impermeabilizadas pelo asfalto e pelos telhados. Uma das propostas criativas e ao mesmo tempo decorativas é a transformação de canteiros centrais ou laterais, localizados em grandes avenidas, em “canteiros de chuva” que são também denominados de sistemas de biorretenção.

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A ideia é construir canteiros com plantas adaptadas às condições locais e utilizar o seu sistema radicular e os microrganismos presentes no solo e na rizosfera (a região próxima à superfície das raízes) para coletar e purificar um dado volume de águas pluviais. O jardim liberará a água lentamente e esta infiltrará no solo contribuindo para a recarga do aquífero subjacente, reduzindo o escoamento de água para os esgotos e o extravasamento do leito dos rios. Os projetos são relativamente simples e podem ser construídos em sua casa se você desejar, em seu condomínio, em seu bairro ou em sua cidade.

Ao contrário dos projetos de construção de infraestrutura de saneamento básico que ficam invisíveis aos olhos do povo, aqui o dinheiro público será empregado, visto pela população, apreciado  e até utilizado por todos porque nada nos impede de plantar nestes canteiros verduras, frutas, ervas aromáticas, plantas medicinais, só para citar alguns exemplos. Outro aspecto interessante, é que estes jardins atrairão pássaros, borboletas e outros insetos para povoar o espaço antes ocupado pelo inóspito concreto ou asfalto urbanos.

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Apesar da sustentabilidade e facilidade de construção de “jardins de chuva“, esta proposta envolve uma grande mudança cultural para que as pessoas percebam que esta é uma forma elegante e ecologicamente correta de usar o espaço público para o bem estar de todos, tornando o ambiente à nossa volta mais belo, reduzindo o aquecimento das cidades e evitando todos os efeitos socioeconômicos indesejáveis das enchentes.

Baixe já um manual no link abaixo e mobilize sua comunidade para que todos nós possamos fazer a nossa parte na gestão adequada da água proveniente das precipitações.

Site recomendado sobre o tema: http://solucoesparacidades.com.br/wp-content/uploads/2013/04/AF_Jardins-de-Chuva-online.pdf

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Autora: Professora Lucia Cangussu

prof

Meu nome é Lucia Regina Cangussu da Silva, mineira quase baiana, bióloga, amante da vida, da família, dos amigos, da natureza e da ciência. Sempre adorei estudar e ensinar. Faço isso desde que me entendo por gente! Faço parte do grande grupo dos “nerds”! Já na graduação na UFMG me apaixonei pelo mundo microbiano logo na primeira aula com as Professoras Betinha e Patrícia. Foi realmente um amor à primeira vista e fico sempre me perguntando o motivo, já que os microrganismos nem sempre são tão bons, bonitos e gostosos como se esperaria! Talvez seja porque, como a maioria dos microrganismos, posso quase ser medida em micrômetros. Este mundo invisível sempre me fascinou e não canso de estudá-lo. Tornei-me o que o meu caro professor Humberto Carvalho condenava... estudante profissional! Lamento, Mestre!